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Mãe da esperança

Meditação sobre a Virgem Maria

No paraíso terrestre Deus oferece o verde da esperança aos primeiros pais, quando imersos na amargura do pecado inicial, sentiam o abismo de dores abrir-se aos seus pés, anunciando a figura da Virgem Mãe que esmagaria a cabeça da serpente do mal. O brilho refulgente da aurora da Encarnação traz vida e alegria para aqueles olhos cheios de desespero e arrependimento. A figura luminosa da Virgem revestida de sol, pura e imaculada como a lua, coroada de estrelas, traz tranquilidade e esperança para a humanidade em caos. Perdida a graça do primitivo estado de inocência, a soberana misericórdia divina dá ao homem uma esperança de perdão pela promessa do Salvador futuro.

Inclinado o anjo diante da Virgem de Nazaré, vê a profunda intuição angélica um oceano de luz pura, um céu ardente, caridade, uma torrente de paz que fluindo do oceano sem margens do amor infinito se precipita naquela virgem incomparável.

“Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo…”

O Espírito Santo como um fogo, inflama-lhe a mente, santifica-lhe  carne com perfeitíssima pureza.

Maria traz em si a ressonância da súplica de seu povo, da geração dos patriarcas e dos profetas, o suspiro ardente e queixoso dos anawin. Todo o seu ser treme ante a mensagem: “Darás à luz um filho a quem porás o nome de Jesus… Será chamado Filho do Altíssimo.”

“Como se fará isso?”, pergunta Maria votada à Virgindade, ao anjo que lhe anuncia a maternidade.

Que Deus se concilie com Deus, e Maria espera a resposta:

“O Espírito Santo virá sobre ti…”

Infinita doçura invade tanto a alma como a carne puríssima da Virgem Maria. Ela traz no seu seio a realização da esperança de Israel: o Messias prometido.

Toda pessoa tem uma vocação sobrenatural . Sente no seu ser uma ânsia do infinito e por entre sorrisos e lágrimas, através do seu peregrinante caminhar, ela não descansa senão quando atinge o estuário infinito do divino Querer, como as águas descansam ao confluir no seio do grande mar. Sofrendo uma inquietação dolorosa, as grandes almas procuram sem cessar o sentido total do seu ser enquanto não recebem esse beijo delicioso que é a paz divina, beijo delicioso que torna o ser humano capaz de refletir todas as perfeições com que Deus o revestiu. O olhar da inteligência iluminada pela pupila da fé contempla em Maria a realização completa deste ideal supremo de comunhão com Deus. E nela também nós alimentamos a esperança de nos fazer pura transparência nas mãos do divino Artista.

Ela própria, nossa Mãe querida nos acena carinhosamente, convidando-nos a segui-la no seu “Fiat”. Rainha dos Anjos e dos Homens, porque Mãe de Jesus Cristo, a extensão universal de sua onipotência mediadora se confunde com a maternidade da graça pela qual Deus lhe concede o poder de intercessão que atinge toda a humanidade, transformando-a em Mãe da Esperança.

A este poder, Maria o recebe por sua adesão plena à Vontade do Pai, que atinge sua culminância máxima aos pés da Cruz.

As mãos imaculadas de Maria receberam o Filho do seio do Pai e O oferece novamente ao Pai no cimo do Calvário, como o dom sublime e o sacrifício da terra. É a hora mais solene da história humana, da divina história do amor eterno. “Toda a dor do mundo, escreve o Pe. Sertillanges, e todo o amor do mundo, palpitam neste momento na Mãe do Verbo. Seu coração vibra ao ritmo inefável saído do Amor Vivo, seu Esposo eterno e por Ele comunicado ao Filho que de algum modo lhe é idêntico.”

Surge a manhã da Ressureição e os esplendores eternos invadem a terra, pois Cristo é o Senhor vitorioso do mal e da morte! Maria, a Virgem da Esperança, firme e inabalável na sua fé, conserva a nossa esperança, mesmo quando as trevas e incertezas nos invadem.


Mãe da Esperança,

Olharei para ti e subirei…

teu poder não me esmaga

é grandeza que se abisma para me elevar,

Tua grandeza não me cobre de sombras…

é grandeza de Sol

E a sombra do Sol… é a Luz!

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