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Silêncio - Fidelidade

Escrito no noviciado de Belo Horizonte, no dia 28/07/1966

Ao lado da Caridade, a virtude sobre a qual mais ouvimos falar e insistir, no nosso Carmelo, é sem dúvida o silêncio.

Sabemos que o silêncio condiciona a oração, criando-lhe um ambiente fecundo e propício. O silêncio é também um meio excelente para conservar a presença de Deus. E, uma alma que vive habitualmente na presença de Deus têm maior facilidade em guardar o silêncio. Assim, queremos ver o silêncio não como mutismo: simplesmente fechar a boca, ou como uma auto-suficiência, um desprezo do outro, mas como uma forma de fidelidade. Fidelidade à Regra, às Constituições, aos Estatutos, aos costumes. A palavra fidelidade vem de: fides = fé. E damos nossa fé a Deus só. A alma fiel portanto, é uma alma que vive sua fé, que vive de fé. Cada coisa, cada objeto, cada acontecimento e cada pessoa, não lhe são indiferentes porque tudo isto lhe revela Deus. Com maior razão ela verá a Deus naquilo que lhe é prescrito pela Ordem ou pela tradição da mesma. Para uma alma que ama e que é ansiosa de provar ao Senhor o seu amor, nada é pequeno, porque ela sabe que diante de cada fidelidade que lhe é proposta há o olhar interrogador de Deus a perguntar-lhe: “Amas-me?”. Se a alma crê nesta presença constante de Deus, neste olhar paternal que a segue por toda parte, mais ainda se ela vive desta presença de Deus, qual deverá ser sua resposta? O que Deus espera? Não simplesmente que ela responda com palavras expressando o seu amor. Pois, Jesus mesmo disse: “Não é aquele que diz: Senhor, Senhor, que entrará no reino dos Céus, mas o que faz a Vontade do meu Pai.” E “aquele que me ama, guardará os meus mandamentos.” A Vontade de Deus é expressa para nós não só nos mandamentos em geral, mas em cada uma das prescrições que nossos Pais nos legaram. Mas é importante notar que devemos primeiramente ser fieis ao Amor, portanto, uma fidelidade que tenha raízes no mais profundo do nosso ser, no nosso coração. Isto significa que a fidelidade que realizamos é amada, querida, compreendida, aceita. Diante de alguma prescrição, o nosso espírito crítico, ou talvez a educação moderna, julgará ridícula, antiquada, uma “coisa fora de moda.”. Cada Irmã, tem, sem dúvida a liberdade de expor humildemente suas razões, seu modo de ver, suas dificuldades em tais ou tais casos. Esclarecida sobre suas objeções, a alma deverá tomar a atitude que o amor lhe ditará. Atitude de uma alma que vice de fé e de amor e que não procura fazer valer sua vontade própria, seu modo de ver.

A orientação moderna levando em conta o valor que se dá a afirmação pessoal, quer assim dar maior autenticidade aos atos conscientemente realizados. A pessoa cumpre uma prescrição ou ordem, não simplesmente porque foi mandado. Ela teve o cuidado de ver onde aquela prescrição observada poderia ser não somente a expressão de sua obediência, mas o desenvolver de uma vontade reta que procura sempre crescer no Amor. Ela descobrirá que quanto mais ela é fiel aos menores detalhes da vida religiosa tanto mais ela será livre. A fidelidade obediente não a tornará escrava, mas sempre mais livre. A alma é livre porque quis entregar sua liberdade ao Amor. Procuremos, portanto, com a santa liberdade dos filhos de Deus, verificar se realmente temos a delicadeza de amor que nos fará fielmente fieis à Regra que, livremente abraçamos. O que as circunstâncias ou a caridade nos impede de observar, Deus saberá desculpar-nos. Pois, ainda nestes casos, não é a nossa vontade que predomina, mas uma nova forma da Vontade de Deus. Vontade divina que interfere, entra em jogo. Talvez isto nos ajudará a tornar-nos sempre jovens no Amor. É a frescura de um apelo diferente, de uma ocasião nova que Deus permite, justamente para verificar se realmente, embalado pela satisfação que encontramos em julgar-nos perfeitamente fieis. A nossa nossa Santa Regra diz que “no silêncio e na esperança estará a nossa fortaleza.”. Que a nossa fidelidade ao silêncio nos alcance de Deus a força necessária para realizarmos sempre Sua Santa Vontade, como, quando e onde Ele quiser. Amém!

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