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Em Flor

Escrita em 1964

Em meio da torrente

Do mundo enganador

Uma frágil semente

Colheu-a o Senhor!

No seu terreno belo,

de graça e esplendor

No solo do Carmelo,

plantou-a o Senhor!

À sombra de suas asas

em abrigo protetor

Com sol e muitas águas

fecundou-a o Senhor!

No silêncio escondidinha,

Na noite, treva e dor

gemeu a sementinha

numa eclosão de Amor!

Em sua haste leve

por entre espinhos e flor

elevou-se com uma prece

no Éden do Senhor

E flor entre as demais

tão belas e tão puras

desejou só contentar

Ao Deus lá das alturas

Em flor, em desejo ardente

Como “hóstia de louvor”

Entrega-se inteiramente

à Trindade de Amor!

Em flor quer ser colhida

e não frutificar

Morrer sem ter a dita

de frutos contemplar

Como o aloés bendito

que ungiu o Corpo do Amado

Pelos homens ferido,

Por amor crucificado!

Assim quero, Senhor!

Morrer na flor da vida

sem fruto e sem valor…

Mas que o meu sacrifício

perfume o Corpo Místico

do Divino Redentor

Como o aloés bendito

que ungiu o meu Senhor!

“Meu Deus é meu tudo e minha Eucaristia!”

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