Veste
Escrita no Natal de 1961

Senhor,
Tu me deste o ser,
a existência!
Fazes nascer:
a planta, o fruto
e ao sol mesmo
Tu dás a essência!
Fazer o firmamento
a cintilar
de estrelas lindas…
Fazer brotar da fonte
a pura linfa.
Vestes o lírio
de brancura.
Vestes o pássaro,
o nobre,
o mendigo da rua…
E queres que te vista
eu, que sou despida?!
Pedes-me uma veste?
a mim que não tenho senão
aquilo que me deste
no Teu Perdão?
Meu Deus,
queres uma veste?
Para cobrir a natureza
que assumiste,
que revestiste
e escondeu
Tua realeza
por meu amor?
Dou-Te o meu ser
Veste de pobre
Veste inglória
de pecador…
que Te envolve,
que Te abraça,
por Tua graça
Meu Salvador!
Quero ser só Tua,
ó meu Senhor!
Pobre e nua
Como sou…
E, a minha veste
de pobre
que Te envolve
e acaricia
pequenino Senhor
nos braços de Maria,
É o meu AMOR!